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Na era da informática, nada mais atual do que os registros de campo.
Luiz Antonio Josahkian Superintendente Técnico da ABCZ Prof. de Melhoramento Animal da FAZU  

O registro genealógico é uma ferramenta fundamental para a seleção das raças zebuínas puras. Fundamentado em um sistema de regras, cuja fonte principal é o próprio criador, torna-se fundamental que estes criadores conheçam e atendam as regras que o disciplinam.

 

Compete ao selecionador de raças puras fornecer as informações que alimentam todo o banco de dados que compõe uma população sob seleção. O pecuarista é, em última instância, responsável por toda informação de seu plantel que é repassada ao Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ).

 

O intercâmbio de material genético entre os plantéis criam laços genéticos, de forma que nenhum rebanho está isolado. O compartilhamento da genética, neste caso, aumenta a necessidade de que os criadores tenham registros organizados e sistemáticos em suas propriedades.

 

Uma vez criadas as bases genealógicas, responsáveis pela formação de intrincadas redes de parentesco entre os animais, é necessário que se adote mecanismos para permitir o conhecimento do perfil econômico de cada animal. Caso contrário, terminaríamos por ter uma rede de nomes ligados entre si, mas para os quais, passado algum tempo, ninguém mais conseguiria se lembrar do valor genético.

 

Entretanto, nem sempre as pessoas se dão conta do que representa um certificado de registro genealógico de um animal. Como as informações aparecem no documento de uma forma organizada e sistematizada, a percepção geral é de que se trata do resultado natural e fácil dos acasalamentos que foram feitos. É claro que, na verdade, é isso mesmo. Mas quem conhece o processo sabe que não é tarefa fácil organizar os dados do rebanho ao longo do tempo para que deles resultem documentos que registrem e reflitam a mais verdadeira realidade.

 

Um certificado de registro genealógico é produto de uma série de eventos biológicos controlados e comunicados pelo criador, os quais são certificados pela ABCZ, no caso das raças zebuínas.

 

A criação animal, por sua própria natureza, é complexa e requer um sistema de registro sistemático e ininterrupto dos eventos que a compõem.

Registrar esses eventos de uma forma lógica, sequencial e passível de consultas forma a chamada escrituração zootécnica de uma propriedade.

De acordo com o regulamento do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas, ela é obrigatória e deverá estar disponível a todo tempo em todas as propriedades que se propõem a fazer o registro genealógico.

 

As razões para que uma propriedade que faz seleção estabeleça uma escrituração zootécnica são muito simples e óbvias. Basta nos perguntarmos: eu seria capaz de me lembrar com exatidão quais os dias e quais touros foram utilizados para inseminar todas as matrizes de meu rebanho? Seria possível, sem o auxílio de uma escrituração zootécnica, resgatar as datas de nascimento de todos os animais? Seria possível recompor, de memória, quais lotes de matrizes foram acasalados com quais touros e por quanto tempo?

 

Essas são perguntas primárias e fundamentais para o primeiro estágio da seleção, ou seja, identificar com certeza cada indivíduo que compõe o plantel. Mas a importância não para neste ponto. Certificados de registro, em geral, apresentam três gerações ascendentes conhecidas, o que nos permite identificar e conhecer famílias e linhagens. As genealogias são conexões de parentesco entre os indivíduos e, por princípio, animais aparentados apresentam alguns genes em comuns. Por este princípio técnico, o parentesco entre os indivíduos pode e é utilizado nas avaliações genéticas dos animais, contribuindo para aumentar a acurácia dos valores genéticos estimados, em especial para produtos jovens. Vista dessa perspectiva, uma escrituração zootécnica bem feita assume um valor maior ainda, tornando-a atual e indispensável para as metodologias mais modernas de avaliação genética. Não é difícil imaginar como uma simples paternidade ou maternidade errada pode ser desastrosa na seleção, principalmente pelo fato de que são prejuízos acumulativos (indicam outras famílias, outras linhagens) e de difícil solução posteriormente.

 

Em trabalho contratado pela ABCZ no ano de 2009, a empresa de auditoria PriceWaterHouse & Coopers - PwC identificou como um dos principais problemas nas propriedades visitadas a ausência de uma escrituração zootécnica sistemática e organizada. É muito relevante esclarecer que escrituração zootécnica não são as informações digitadas em programas de computadores que gerenciam a fazenda. Elas são os registros de campo, feitos em planilhas, cadernetas ou outros modelos, e representam a ponte entre o campo e o teclado do computador. Outra questão relevante é que, mesmo que tenham sido digitadas, as escriturações precisam ser preservadas em seu meio original (papel), porque, na maioria dos casos de dúvidas, elas são a única fonte provável de esclarecimentos.

 

A partir do diagnóstico da PwC, a ABCZ elaborou o “Manual do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas e PMGZ”. O material conta com 190 páginas onde o pecuarista encontra informações que vão desde como solicitar o registro dos animais, como fazer as marcações nos zebuínos até como preencher os formulários online e em papel das comunicações de cobrição, de nascimento, de morte e da ADT (Autorização de Transferência). O manual ainda traz o padrão racial de cada raça zebuína existente no Brasil e como utilizar o programa de melhoramento genético PMGZ.

 

Todos os associados da ABCZ receberam em casa um exemplar do manual. Uma versão online, incluindo todos os modelos de formulário da Escrituração Zootécnica, está disponível no site da entidade (http://www.abcz.org.br/conteudo/videos/escrituracao.php).

 

Modelo de Escrituração Zootécnica obrigatória

 

Os modelos apresentados a seguir são uma sugestão quanto à sua forma. Entretanto, embora o criador possa adequá-lo da melhor maneira possível ao seu manejo, as informações que são requeridas são obrigatórias. Isso quer dizer que o criador pode juntar um ou mais dos formulários apresentados, criar campos adicionais que sejam relevantes para o manejo dos animais ou administração da propriedade, mas, sempre, em qualquer caso, manter todas as informações que aparecem nos formulários.

 

Importante frisar, mais uma vez, que a escrituração zootécnica é obrigatória. Sua ausência na propriedade pode determinar a não concessão do registro genealógico aos animais. É  comum que os criadores - iniciantes ou não - se preocupem e invistam a maior parte de seu tempo e recursos em benfeitorias na propriedade, na aquisição de material genético de alto valor e, claro, na sede da fazenda. Tudo isso é importante, sem dúvida, mas por vezes a administração do processo seletivo (a implantação de uma escrituração sistemática e fidedigna) fica em segundo plano, quando deveria, no mínimo, ser tratada paralelamente a qualquer uma daquelas preocupações.

 

 

 

 



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